Está saindo pela Agbook meu novo livro, parte da coleção APRESENTAÇÃO DA LITERATURA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume 6, com análise e condensado de 10 obras importantes de nossa literatura na segunda metade do século XIX: O MULATO, O CORTIÇO, O ATENEU, A CARNE, BOM-CRIOULO, TARDE, MISSAL e BROQUÉIS.
Clique no linque que vou indicar e leia as primeiras páginas para ver se lhe interessa ou a alguém que você conheça. Indique, divulgue.
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
SOBRE A VIDA
Como dizia João Cabral de Melo Neto
"E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco,
franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.”
E complementaria com a sabedoria de Fernando Pessoa: "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena".
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
ANGU LEVA ACENTO NO U?
Que horror! Pelo amor de Zeus, não cometam esse erro horrível. As palavras oxítonas terminadas em "u", seguidas ou não de "s", não devem receber gráfico: urutu, urubu, angu, tatu. E muito menos os monossílabos: tu, nu e aquela palavrinha que é empregada normalmente como palavrão, cu, que também não pode receber acento como normalmente encontro em banheiros públicos. Mas quem escreve em porta e parede de banheiros normalmente não é pessoa de boa educação.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
TROVINHA POPULAR
Não há viagem mais bela
que ir bem devagarinho,
do queixo até o nariz,
parando em meio caminho.
No fundo do meu quintal,
corre água sem chover;
são lágrimas dos meus olhos,
que choram por não te ver.
que ir bem devagarinho,
do queixo até o nariz,
parando em meio caminho.

corre água sem chover;
são lágrimas dos meus olhos,
que choram por não te ver.
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
Erros de português 1: regência do verbo evitar.
Na editora virtual Agbook encontrei esta
pérola: Para
evitar que os textos se desconfigurem, você deve escrevê-los diretamente nos
campos abaixo evitando de copiar e colar diretamente do Word.
O verbo evitar é transitivo direto e não pede
preposição nenhuma, logo esse de não tem razão de ser.
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
VOCÊ FALA ASSIM COM SUA MÃE?
MODO
DE FALAR
O
marido se queixava, mas garantia que não era uma reclamação, mas apenas uma
constatação. “Eu nem ligo, mas vejo quão diferente é o modo de agir de minha
mulher. Veja só, ontem, pela manhã saí com ela para fazer compras e na hora de
estacionar eu saí do carro e tentava orientar, mas simultaneamente o
funcionário do estacionamento, prestativo, mas desajeitado também dava seus
palpites e minha mulher ficou nervosa com aquilo. Eu fiquei com receio em um
momento que ela iria recuar com as rodas dianteiras viradas completamente
viradas que batesse numa moto que estava ao lado, e gritei ao mesmo tempo que o
tal funcionário ‘Endireita a roda” ou algo parecido, nem lembro se falamos
pneus ou rodas. Bem, ela ficou nervosa, reclamou e eu, como de hábito, saí e
deixei-a livre para fazer o que quisesse.
Como eu precisava ir à farmácia que havia na esquina, dirigi-me para lá
e pensei, depois vou encontrá-la na
quitanda. Assim fiz, depois de comprar o remédio fui para o hortifruti e ela
ainda estava tensa, com voz dura e lágrimas nos olhos protestou que reclamara
porque eu fui grosso com ela, que eu precisava controlar meu tom de voz. De
nada adiantou eu dizer que eu não gritara do jeito que ela reclamava, mas que
fora firme por uma questão de urgência, de emergência, mas qual o quê, ela
continuou brava comigo, mas como sempre, não durou muito, logo ela recuperou a
calma e voltou ao tom de voz calmo e tranquilo de sempre.
Estou
contando isso, para você ver como é diferente o modo de ser de mãe e de esposa,
bem, isso nela, porque em outras mulheres deve ser diferente, mas nela é assim.
Como esposa, ela briga, ela se defende e briga por si, mas com filhos age de
outra maneira. Ontem mesmo pude ver isso, no período da tarde. Não vi, mas ouvi
bem. Estava num cômodo ao lado do quarto em que as duas entraram discutindo,
peguei poucas palavras e não as guardei bem, mas o que mais me incomodava era o
tom irritado e bravo com que a filha admoestava por estar andando de chinelo ou
calçado dentro de casa e, creio que levando ou espalhando alguma sujeira.
Precisava você ver com que doçura, com que suavidade ela procurava se
justificar com a filha, desculpando-se, mas se controlando para não perder a calma.
É assim mesmo, amor de mãe, amor de mãe é incondicional.
Agora
veja só que coincidência mais incrível, leia este texto do papa Francisco que
eu encontrei logo em seguida, até postei na minha página no Face: ‘O diálogo derruba os muros das divisões e das
incompreensões; cria pontes de comunicação e não permite que alguém se isole,
fechando-se no seu pequeno mundo. Não vos esqueçais: dialogar significa ouvir o
que me diz o outro e dizer com mansidão aquilo que penso. Se as coisas correrem
assim, a família, o bairro, o lugar de trabalho serão melhores. Mas se eu não
deixo que o outro diga tudo o que tem no coração e começo a gritar — hoje
grita-se muito — esta relação não terá bom êxito; o relacionamento entre marido
e esposa, entre pais e filhos não terá bom êxito. Ouvir, explicar, com
mansidão, não agredir o outro, não gritar, mas ter um coração aberto.’”
domingo, 24 de dezembro de 2017
DINDINHA DINOCA, MINHA QUERIDA VÓ
PROFECIAS
Ontem,
alguma coisa que aconteceu, um incidente qualquer, detonou duas lembranças
dentro de mim. Lembranças muito antigas que estavam adormecidas. Engraçado, ainda
agora estou me lembrando delas, mas do incidente que promoveu a retirada delas
de uma gaveta que se encontra no fundo da memória, ah! Isso não consigo
recordar, por mais esforços que faça. Bem, vou contar as recordações antigas e,
quem sabe, acabo acordando o evento de ontem.
Quando
ainda tinha cinco anos... assim contou minha mãe quando eu estava na
adolescência e entrei em casa com minha primeira namorada. Disse que, certo
dia, minha avó, Dindinha Dinoca, como a chamávamos, profetizou aos presentes na
cozinha de sua casa, com um entusiasmo muito grande, olhando para mim:
-
Esse meu netinho vai ser padre.
Minha
mãe disse que eu não dei tempo a ninguém para se expressar a respeito desse
augúrio que me fazia a vó beata, que se sentia frustrada de ainda não ter
nenhum neto com inclinação para o sacerdócio. A minha resposta foi tão firme
quanto rápida e criou um silêncio tumular.
-
Eu não, eu vou casar!
Meu
pai riu seu riso de boca fechada, porque tinha muito respeito à sogra, mas
pareceu ficar feliz com minha resposta. Minha mãe ficou impassível, mas
contou-me anos depois que também não gostou do prognóstico de Dindinha. Vovó ficou
triste comigo, mas teve um consolo anos depois porque outro neto, Zito, dos
Rezendes ingressou no seminário.
Creio
que um ano e pouco se passou depois desse evento, e até hoje me lembro sem ter
precisado que alguém me contasse, eu e minha vó estávamos no quintal daquela
casa em que viveram os últimos anos em Santa Bárbara. Já era noite e o ar
estava agradável e perfumado pelas diversas plantas do quintal amplo. Era noite
de lua cheia e ela subia vaidosa e imponente, pouco além da linha do horizonte,
exibindo sua elegância e encanto. Não se ouvia nem a respiração de quem estava
perto. Eu quebrei aquele encanto com um presságio realista que se confirmaria
anos depois da morte de meus avós:
-
Dindinha, um dia o homem ainda vai pisar na lua.
-
Não fala bobagem menino, se Deus pôs a lua tão alto é pra gente não pisar nela.
Não
estou muito seguro, mas parece-me que levei um tapa na boca, nada forte, mas
que me fez ficar calado o resto da noite. E dezenas de anos depois, casado e
com filhos, vi na televisão de casa, com as crianças e a esposa, o primeiro
homem pisar na lua; pensei com meus botões;
-
Caramba! Eu tinha razão.
(Inédito, 24 de dezembro de 2017. Geraldo Chacon)
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