Capítulo 6 –
APRESENTAÇÕES EM CABO FRIO – Teatro
USINA 4
Depois de algumas apresentações
esparsas de parte da peça em festivais de Cabo Frio, agendamos apresentações no
teatro Usina 4. Fizemos entrevistas para
divugar o monólogo em rádio, tvs e distribuímos panfletos em lugares públicos.
Certo dia aconteceu o que bem poderia ser uma piada. Ao entregar a propaganda a
uma senhora, ela me perguntou sobre o que era a peça e quando lhe disse que era
sobre a primeira viagem de Vasco da Gama às Índias ela com alegria exclamou: “Meu
marido vai gostar, ele é vascaíno”!
Após as apresentações no teatro eu tive duas alegrias; uma foi o elogio do
diretor José Facury, que foi sincero, porque tempo depois me contratou para
auxiliar na adaptação da obra máxima de Mário de Andrade: Macunaíma. A outra alegria foi porque o ator e mímico Jiddu
Saldanha que exclamou, logo que terminei a última fala: “Estou chorando”. E sua
apreciação depois apareceu na internet, quando escreveu uma crítica repleta de
elogios. Pena que não a encontrei agora para incluir aqui.
“CAMÕES EM CABO FRIO, NO TEATRO USINA 4
Entrei em cena e improvisei:
"Meu nome é Luís Vaz de Camões e eu escrevi Os Lusíadas, em que conto a viagem de
Vasco da Gama às Índias. Creio que faz dois anos que o Vasco da Gama esteve
aqui neste teatro e contou a chegada dele em Melinde, onde narra para o rei de
lá toda a história dos reis de Portugal e de sua viagem até ali.” Aí já
emendei para o texto normal contando o fim da viagem e a volta a Portugal. Mas
logo no começo, tinha observado a atenção e ligação forte da plateia e também a
presença do meu amigo e companheiro de trabalho em outra peça, o Solano, e mais
surpreso ainda fiquei quando reconheci o rosto de um senhor muito simpático e
atento, na primeira fileira.
Lembrei-me dele. Ele era dono de um mercadinho perto do
teatro. Eu tinha lhe falado do meu trabalho, convidei-o, mas ele disse que não
poderia ir, porque fechava o mercado às 20:00 quando começavam as apresentações
e ainda tinha que ir ao fornecedor para buscar produtos para reabastecer seu
estabelecimento. Que agradável surpresa! Ele deve ter se esforçado para conseguir
chegar a tempo. Bem, apesar da trilha musical não ter tocado porque deu algum
tipo de erro no computador, eu fiquei numa sintonização tão harmoniosa com o
público que nem liguei e ainda improvisei "cacos" e cenas que levaram
as pessoas ao riso e a momentos de emoção que também me tocaram muito.
Felicidade incrível, esse é o melhor pagamento para nós artistas, o maior
prêmio! Aplaudiram muito! E eu ainda me enlevo de amor e gratidão até hoje!”
