segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Vitorino Carriço e Arraial do Cabo

CONVERSA COM VITORINO

Meu caro Vitorino, venho aqui como um garoto,
como se fosse um menino, para de ti receber instrução.
Foi por isso que com alegria saí bem cedo, logo de manhã,
e vim para sua casa, hoje denominada da poesia.


No entanto, por inibição,
dei uma volta pela prainha,
depois fui ainda mais longe,
caminhei até a Praia dos Anjos,
mas finalmente ganhei coragem
e aqui entrei resoluto
e estou firme, decidido.

Sei que perto de ti não sou nada, apenas um aspirante,
um novato atrevido, mas veja meu coração,
perceba minha sinceridade
ao expor minha fraqueza.
Só quero aprender contigo a beleza de fazer versos,
de dizer coisas boas, de agradar às pessoas,
de captar a alma da poesia.

Não, por favor, não se afaste de mim,
não fique irritadiço
porque isso não combina com seu nome,
quer dizer, sobrenome.
Dê-me a mão, faça-me companhia.
Agora há pouco, seu neto passou pela janela,
estava tão apressado o Júnior, nem nos viu.

Por favor, não seja severo, não me olhe assim,
porque eu, sabe, sou inseguro.
Sinto-me um tanto pateta,
um tonto, mas no fundo, eu sei,
que tenho alma de poeta
e às vezes, como você,
sinto uma ânsia insaciável
de amor e de amizade.
Assim como você, não desejo mais utopia
nem ser um rico nababo.
Só quero compor algo popular, singelo.
Talvez não tenha sido por acaso
Que tenha me ordenado o Fado
vir viver em Arraial do Cabo.

Geraldo Chacon

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

ANGLO, CURSO APROVE E COLÉGIO BANDEIRANTES

Creio que jamais conseguiria decidir em qual das escolas acima eu tive maior prazer em lecionar. Se deixar de lado distinções como salário, plano de saúde, e levar em conta apenas a aceitação e o carinho dos alunos, não consigo mesmo resolver. Jamais em outras situações tive alunos tão bons, tão dedicados, tão respeitosos, amáveis, colaboradores, estudiosos. Eu dizia sempre para os do colégio que vivia pedindo a Deus que se tivesse que lecionar no céu, depois de finar, só o faria se houvesse salas com o mesmo tipo de alunos. Já no Aprove, cursinho para alunos das classes mais necessitadas, eu desbocadamente dizia que era puta, que dava aula em outras escolas pelo bom salário, mas que ali não, ali no Aprove eu dava quase de graça, dava por amor; aulas, é claro. Estou recordando isso porque acabo de abrir um velho livro que há muito não relia, nem consultava e descobri esse bilhete de uma aluna de Mogi das Cruzes:
Que alegria! Meus olhos transbordaram em cachoeira silenciosa e eu nem consigo lembrar do rosto dessa tão doce Bianca. Bianca, me perdoe, memória fraca, mas garanto que olho esse bilhete e me encho de carinho por você e torço para que um dia a gente possa de novo se ver e darmos um abraço apertado. A essa altura você já deve ser uma profissional realizada, semeando essa sua simpatia por todos que têm a sorte de viver próximos de você. A você e a todos meus amáveis alunos do Band, Anglo e do Aprove, um saudoso abraço. Minha vontade era prender todos aqui bem perto de mim.


domingo, 5 de outubro de 2014

POR QUE separadamente

      Faz algum tempo, comentei aqui alguns erros na internet e outro dia abordei a questão do emprego de porque e por que. Expliquei que quando se trata de pergunta, deve ser registrado separadamente. Agora mesmo vi um vídeo no Face em que aparece essa frase: "Sabe porque?". Deveria estar separado, por se tratar de pergunta. 
        Creio que na ocasião em que escrevi, não comentei que mesmo sendo a pergunta indireta, isto é, sem uso do ponto de interrogação, também deve ficar separado. Exemplos: Não sei por que a mulher é considerada sexo frágil. Gostaria de saber por que você gasta tanto tempo na rede e não dedica pelo menos alguns minutos ao estudo da gramática.
     E quando o sintagma está no final da frase, colocando acento mais forte na última sílaba, devemos acentuar graficamente também: "Você fez isso comigo por quê?"

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

POESIA ÉPICA E DRAMÁTICA - BIBLIOTECA DE ARARUAMA

Venha participar da segunda palestra, 09/10/2014, do ciclo  BATE PAPO LITERÁRIO, com início às 17 horas, na Biblioteca de Araruama. Nesse segundo encontro abordarei os gêneros literários ÉPICO e DRAMÁTICO, ilustrando com poemas de Camões, Gil Vicente, Oduvaldo Vianna, e texto de minha autoria. Sintam-se convidados e levem os amigos.
               

sábado, 27 de setembro de 2014

PORQUE e POR QUE, junto ou separado?

Você costuma ter dúvidas ao escrever "porque"? Sem muita teoria, guarde a seguinte informação; toda vez que escrever uma pergunta, escreva separadamente: "Por que você sempre me aborrece?".
Já ao registrar uma resposta, uma afirmação, coloque um termo só: "Aborreço porque você é muito chato!" "Eu digo sempre a verdade, porque mentir dá muito trabalho."

Veja que em "Esse é o ideal por que luto" ou ainda em "Nunca esqueci os problemas por que passei" não se trata de pergunta e resposta, mas outra situação. Sem usar gramatiquês, pense essas frases como se fossem assim: "Esse é o ideal pelo qual luto" e "Nunca esqueci os problemas pelos quais passei", logo precisa ficar separado "por que" porque se trata de duas palavras, independentes. Ajudou?

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

ANTÍTESE E PARADOXO

Um amigo pediu-me para explicar a diferença entre essas duas figuras de linguagem, mas nem vou dizer nada, para ele e quem mais precisar dessa informação vou remeter diretamente para quem já fez isso: http://www.estudopratico.com.br/diferenca-entre-antitese-e-paradoxo/

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ALITERAÇÃO

Pediram-me para explicar o que é aliteração, pois aí vai. Aliteração é uma figura de linguagem que enriquece o texto. É muito empregada pelos poetas e pelos compositores da MPB que conhecem bem a nossa língua. Consiste na repetição proposital de fonemas (sons) consonantais, veja esses exemplos:

Pedro pedreiro penseiro. Toda gente homenageia Januária na janela. (Chico Buarque)
Não importa a letra (grafia) como g/j ou c/ç/ss, mas apenas a sonoridade idêntica.

Vida, vento, vela, leva-me daqui... (creio que é de Belchior)


A frouxa luz da alabastrina lâmpada

Lambe voluptuosa os teus contornos... (Castro Alves) 

O poeta dos escravos foi muito feliz ao empregar essa aliteração, conferindo grande sensualidade, como que projetando sobre a luz da lâmpada o desejo do amante de lamber todas as curvas da mulher amada.


Troe e retroe a trompa. (Gonçalves Dias)



Em um poema procurei fazer uso desse recurso:

               AMADOR


A ponte aponta um ponto no horizonte.

Aponte o meu coração,
aperte o gatilho,
pouse em meu quarto;
parto de amor não dói.