sexta-feira, 16 de novembro de 2012

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CHUVA

Atravessei o pátio de meu avô correndo na chuva fria, com o gato Ernesto abrigado no colo.
Entrei em seu gabinete iluminado pela lareira e ele me recebeu com um abraço:
- Que é isso, rapaz? Tele-entrega de gato? O que é que você faz por aqui num dia aquoso destes?
- Tive vontade de lhe dar um alô e não ia ser uma chuvinha que me ia impedir, Vô. Ao passar pela cozinha achei que o seu gato estava querendo estar com o senhor também.
- Ah, gestos assim não têm preço. Tire seu casaco molhado, coloque este aqui, sente-se mais perto do fogo. Que tempo, hein?
- Falando nele, de onde veio a palavra chuva?
- Ah, estava demorando para entrarmos em nosso assunto predileto. Pois chuva não apresenta grande complicação: veio do Latim pluvia, “chuva” mesmo. Deriva de uma fonte Indo-Europeia pleu-, “agitar a água”.
Em linguagem atual ela também gerou pluvial, “referente à chuva”.
- E quando ela é fraquinha, daquelas que apresentam umas gotinhas pequenas e escassas?
- Nesse caso temos a garoa. Sua origem é discutida, mas predominam os que dizem que ela vem do idioma Quéchua, através do Espanhol garúa(...)

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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

AMOR UNIVERSAL



Trago nos olhos a água
nascida na fonte da serra.
Na boca... na boca trago terra
de tantas vezes ter ido ao chão.

Nas mãos trago uma roseira de luz
onde poesia é espinho ou flor.
No ventre trago a fome de mil gerações,
no peito mais de mil corações
e, no coração, um infinito amor.
Esta é a serra do Caraça, perto da casa em que nasci.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

VOCÊ É...

Você é a saudade que eu tenho
De tudo que é bom na vida:
a cana, a garapa, a rapadura,
a roda girando no engenho,
crianças brincando, pais na lida;
cavalo impaciente batendo a ferradura,
meninas brincando de ciranda
e avós observando tudo da varanda.

Você é meu bodoque, meu pião,
minha varinha de pescar
melhor do que a varinha de condão.
Você é tudo que é doce:
Pé-de-moleque, mel e mamão.
Fruta apanhada fresquinha no pé:
laranja, manga, melancia, melão.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

ELEFANTE BRANCO



                  Sábado passado (3/11) fomos ao Clube do Professor e assistimos ao filme argentino Elefante Branco, com Ricardo Darin. Surpreendente o trabalho do diretor Pablo Trapero e de toda a equipe. Fiquei pasmado de admiração naquelas cenas de maior movimentação, em que grande número de atores (a maioria deles amadores) em movimento constante em plano-sequência sem corte e, apesar disso, não há por parte da criação artística nenhum descontrole, nenhum indício de que algo tenha escapado ao que previamente estava determinado pelo roteiro. Nada parece acidental na ação e, outra qualidade excepcional; mesmo nas cenas noturnas ou de temporal a imagem deixa de ser o suficientemente nítida para que o espectador possa captar o que deve ser transmitido. Ótima lição para quem faz cinema, sem querer ofender, mas como lição de que se pode tirar proveito, recomendo à equipe que gravou Gonzaga de pai para filho, que veja esse filme. Outra lição, triste, que o filme argentino nos transmite é que a miséria, o vício, o desrespeito, a violência em todas as suas formas, tudo isso não tem pátria. Tanto aqui, como lá, e em outros países, vamos encontrar as condições de vida precárias e todas as consequências disso. Lembrei-me de uma frase, embora não me lembre do autor, que encerra dolorosa verdade: "O poder corrompe, mas a miséria corrompe muito mais". Triste de nós que não vemos caminhos para a solução de problemas tão graves.
Acreditamos que nos desenvolvemos, que evoluímos, que somos melhores que as pessoas e  a sociedade da Idade Média, mas vendo nossa realidade atual, fico com dúvidas dolorosas. O pior é que muitos de nós preferem ignorar, fugir, não ver filmes com esse tipo de mensagem, enfim, lavar as mãos como Pilatos. Por isso invejo meu amigo Fernando, de Petrópolis, que está iniciando um trabalho em comunidade carente de sua cidade. Desejo-lhe muito sucesso e espero começar algo assim no ano que vem. O homem não é uma ilha, como dizia Donne, mas muita gente faz o maior esforço para se tornar uma.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

BOM TEATRO SE CONSEGUE ASSIM

            Para uma peça de teatro ficar boa é necessário, em primeiro lugar, um bom texto, caso contrário nem os melhores atores conseguiriam salvar o espetáculo. Mas, cuidado, até um bom texto pode se tornar prejudicial, caso se estenda mais do que deva, porque nesse caso torna-se cansativo e pode entediar, se não toda, pelo menos uma parte da platéia. Um bom texto, conciso, fica melhor se tiver alguns toque de humor e abordar criticamente problemas de nossa realidade, de nosso cotidiano. Tudo isso e muito mais a gente encontra na peça Cucaracha, texto do premiado dramaturgo Jô Bilac. O diretor Vinicius Arneiro, com direção minimalista, realiza um excelente trabalho retratando a relação – ora cômica, ora delicada – entre uma paciente (Júlia Marini) e a enfermeira (Carolina Pismel) que a acompanha durante anos de internação hospitalar. As duas atrizes primorosamente arrancam risos e exclamações da platéia desde as primeiras cenas, mantendo a emoção até o apagar das luzes. O espetáculo transita do sério para o humor e do absurdo para o realismo com tranquilidade e desenvoltura. Há uma cena em que o trabalho de Carolina Pismel deixou-me encantadíssimo, porque consegui isso uma única vez, quando interpretava a montagem paulista de Memórias Póstumas de Brás Cubas, quando no grupo RIA. E ela, no mesmo dia, fez isso duas vezes. Acredito que Constantin Stanilasvski ficaria maravilhado. Você tem só até dia 11 de novembro para assistir, no Centro Cultural do Banco do Brasil, Rio de Janeiro. Tel.(21)3808-2020 para mais informações. Veja uma foto da peça feita por Paula Kosssatz:

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

GONZAGÃO E GONZAGUINHA



Acabo de sair do cinema, onde assisti ao filme do Breno; Gonzaga de pai para filho. Claro que me emocionei com o problema de relacionamento entre pai e filho, porque vivi isso a vida toda, por isso quase chorei quando os dois se abraçaram, porque não consegui chegar a esse ponto na minha história pessoal. Excelente apresentação, como sempre, do João Miguel (que já trabalhara em "À Beira do Caminho", do mesmo diretor) e da atriz  que interpreta a mãe do Lua quando adolescente. Outro grande acerto foi a escolha do ator que interpreta Gonzaguinha. Lamento contudo o tom sombrio da fotografia, creio que para dar o clima de coisa antiga, mas é pena, poder-se-ia resolver isso de outra forma, apesar de não ter conhecimento técnico para tal. Cansou-me ver imagens pouco nítidas, o tempo todo, mesmo quando era dia alto, claro, a fotografia estava como nublada. Pensei que quando chegasse aos anos sessenta aquilo mudaria, mas não, foi até o fim. A fotografia de À Beira do Caminho ainda me traz boas lembranças. Contudo, vale ver o filme, mesmo assim.

MINI POEMA



O trabalho gráfico é do meu amigo Mário que conheci no Ponto de Cultura de Igaratá, quando elaboramos o curta "Desencontro".