domingo, 13 de janeiro de 2019

CORRUPÇÃO FAZ PARTE DA NOSSA TRADIÇÃO! Que triste!!!!

Gregório de Matos no século XVII, ficou amigo de Antônio de Sousa Menezes, que depois se tornou governador da Bahia. Parece que com o cargo seu comportamento se tornou censurável e o poeta desandou-o numa crítica que, se eu tirar o nome dele, você pode colocar hoje uma porção de nomes que tão bem conhecemos. Experimente...


Senhor . . ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Quem sobe a alto lugar, que não merece,
Homem sobe, asno vai, burro parece,
Que o subir é desgraça muitas vezes.

A fortunilha autora de entremezes[2]
Transpõe em burro o Herói, que indigno cresce.
 Desanda a roda, e logo o homem desce,
Que é discreta a fortuna em seus reveses.

Homem (sei eu) que foi Vossenhoria,
Quando o pisava da fortuna a roda,
Burro foi ao subir tão alto clima.

Pois vá descendo do alto, onde jazia,
Verá, quanto melhor se lhe acomoda
Ser homem em baixo, do que burro em cima.



[1] Em alguns livros esse verso aparece assim: Sôr Antônio de Sousa de Meneses”.
[2] Comédias praticadas por jograis da Idade Média. Pequena peça de teatro, burlesca e jocosa, de um só ato.

domingo, 6 de janeiro de 2019

O AMOR CURA AS FERIDAS DA ALMA


Passou pelo crivo da vida
minha existência sofrida,
mas veio um vento ameno
e seu amor como suave brisa
fez de mim um homem pleno.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

O ELEFANTE, de Carlos Drummond de Andrade

Se você é artista ou luta por algum ideal, se algum dia bater dúvida, ou vontade de desistir por causa de alguma dificuldade, antes de fazer qualquer coisa ouça esse poema que é para mim um leme e uma bússola: https://youtu.be/PMrE7mMMiOo
https://youtu.be/PMrE7mMMiOo




terça-feira, 18 de dezembro de 2018

ROGER BACON: intuição, filosofia ou profecia?


O filósofo e alquimista Roger Bacon em 1260 premonitoriamente escreveu: 
“Pode ser que se fabriquem máquinas graças às quais os maiores navios, dirigidos por um único homem, se desloquem mais depressa do que se fossem cheios de remadores; que se construam carros que avancem a uma velocidade incrível sem a ajuda de animais; que se fabriquem máquinas voadoras nas quais um homem (...) bata o ar com asas como um pássaro. (...) Máquinas que permitam ir ao fundo dos mares e dos rios”.
bacon.jpg


Bacon conseguiu fabricar pólvora, mas escondeu a fórmula por medo de que esta perigosa invenção caísse em  mãos inescrupulosas.

domingo, 9 de dezembro de 2018

GÊNERO LÍRICO, em versos

Veja primeira parte dessa minha palestra sobre gêneros literários em versos, pode copiar retransmitir, usar em suas aulas, sem reservas de direitos autorais.
clique aqui

domingo, 2 de dezembro de 2018

JORGE AMADO, você já leu esse livro dele?


Recomendo a leitura desse livrinho incrível, fiquei surpreso ao ler. Vi a peça há dezenas de anos, meus filhos ainda eram pequenos, agora ao ler o livro a peça de que tanto gostei pareceu-me ficar aquém do livro. Era boa, não entenda mal, mas o livro tem emoções, críticas, humor que não puderam ser transferidas para outra linguagem. Estou certo de que Machado de Assis adoraria ler esse livro, talvez até tivesse uma pontinha de inveja e pensasse: "Caramba, esse aí me superou!" Vou transcrever só uma pequena introdução, antes do capítulo "Madrugada".

"Era uma vez antigamente, mas muito antigamente, nas profundas do passado, quando os bichos falavam, os cachorros eram amarrados com linguiça, alfaiates casavam com princesas e as crianças chegavam no bico das cegonhas. Hoje meninos e meninas já nascem sabendo tudo, aprendem no ventre materno, onde se fazem psicanalisar para escolher cada qual o complexo preferido, a angústia, a solidão, a violência. Aconteceu naquele então uma história de amor."

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

INTERTEXTUALIDADE COM FAMOSO POEMA DE VINÍCIUS DE MORAES


OPERÁRIO EM DESCONSTRUÇÃO
ou
Infelizmente ele é da classe média

Medo de ficar em casa
Sem dinheiro, sem comida.
E assim vai levando a vida,
Sem descanso, sem sossego,
Pouco pago, mas com emprego.
Pondo a família no prego,
Devendo pra todo mundo;
Pregando a conformação,
Esperança e caridade.

Para transformar em verdade
Tudo que vai espalhando
Cita Cristo, Reis, Caeiro
E o ouro falso em verdadeiro
Acaba se transformando
Na sua interpretação
De  vida, versos, versículos,

Não vê o lado da moeda
Em que a luz do sol não brilha
E assim no embate vital
Não encontra a dialética
Que revela o seu estado
De viver do que é sobra
De sua própria produção.
                                     (Chacon  28/11/1985)