segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

CARRASCO e CARRASCA, palavras que mudam quando muda o gênero

Há um aspecto interessante em nosso idioma; certas palavras quando você emprega no gênero masculino, mudam completamente de sentido quando você as emprega no feminino. Por exemplo: carrasco é aquele sujeito que é designado para executar alguém que foi condenado à morte. O rei D. Pedro I de Portugal mandou o carrasco arrancar os corações a machadadas daqueles que levaram Inês de Castro à morte. Já o termo carrasca, você ficará surpreso com a novidade, porque é muito pouco empregado, significa azeitona mirrada e ruim.
O termo mais importante com essa característica e que nós usamos muito e quase sempre de forma incorreta é grama, porque o substantivo não muda e apenas o seu artigo, por exemplo;
- A grama foi cortada ontem pelo jardineiro.
- Quinhentos gramas de carne moída é o que precisamos para fazer esse prato.
Grama no feminino designa o vegetal e no masculino é medida de peso.

domingo, 22 de janeiro de 2017

OS LUSÍADAS PARA AMIGOS

Meu muito obrigado ao amigo Hilton Nascimento, da revista La Femme, que fez essas fotos de um dos meus ensaios abertos; da esquerda para a direita de cima para baixo:
Interpretando Baco,  Vasco da Gama, Inês de Castro, Velha se despedindo do filho na partida da armada, o Velho do Restelo amaldiçoando a ganância, Vasco da Gama ao encontrar o Gigante Adamastor, Camões  falando da chegada à Índia, cena do Gama satirizando fala na ninfa Tétis e os amigos que tiveram a paciência de me ouvir até o fim: Hilton, Janice, Hélio (que cedeu sua sala para a apresentação), Dejanir, a diretora Angelah e Carol.
 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

GONZAGUINHA e CÁSSIA ELLER

ELEGIA

Há gente que nunca vi,
pessoas que nem conheço,
mas quanto morrem me aborreço.
Me encho de saudades,
me aperta o coração.
Foi o que me aconteceu
quando partiu Gonzaguinha,
Dionísio Azevedo, Cássia Eller
e também Itamar Assumpção.












(Há tempos fiz esse poema, agora, com menos técnica, mas muito mais emoção, complementei: 22/01/17)

Não leio mais jornal,
nem vejo televisão,
por isso hoje passei mal
e quase também parou
o meu pobre coração,
quando na internet vi
que dessa vida já passou
o poeta Vander Lee. (Compositor e cantor mineiro) Ouça Vander Lee

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

EXISTE AMOR PERFEITO?

AMOR

Amor perfeito? Só se for na forma de flor.
Amor perfeito não existe, é pura utopia,
mas não ter qualquer amor é mais triste.
Qualquer forma de amor é sempre uma grande alegria.

Leia alguns poemas meus no site

http://www.agbook.com.br/book/188781--POESIA_NOSSA_DE_CADA_DIA

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

AMIZADE, VINHO E SAPATO

CANTIGA SINTÉTICA

Sapato venho e vinho antigo
são sempre bons, não são?
Assim também com nosso amigo
e nosso amor.
Faz muita falta seu peito amigo!

sábado, 10 de dezembro de 2016

APAIXONADOS SÓ PERCEBEM A BELEZA

ENAMORADO


A qualquer aquarela
prefiro os olhos dela
na moldura da janela.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

VOLTANDO AO BOCA DO INFERNO

Em 3 de agosto postei um poema satírico de Gregório de matos e terminei com assim:
 "Usei muito esse poema em palestras e aulas, mas a versão que declamo é um pouco diferente, vou relembrar e colocar outro dia e também contarei um episódio hilário que ocorreu numa palestra para professores do Paraná em Faxinal do Céu,na Universidade de Professores"

Costumo me lembrar do poema desse modo:

Ele é como o sino, tem badalo,
como o pepino, tem sementes,
como o pau de tambor, bate o couro lindamente.
Ele é como fuinha, gosta de cavar as estradas,
e se elas estão tapadas, é com focinhadas
que ele dá de pelejar.

Ele nasceu por entre as pernas,
por isso só nas cavernas
gosta de ter a cabeça.
Como cascavel de Assor,
de carne crua se mantém,
mas nunca lhe ouvirás dizer,
que dessa carne falta tem
e apesar de tão esfaimado
dá leite como um danado
a quem o quiser ordenhar.

 Esse, senhora, a quem sigo 
de tão raras condições é . . . (Certa feita, fui convidado para fazer uma palestra sobre nossa literatura desde a origem até a Semana de Arte Moderna em 1922. Viajei para Curitiba, de lá vieram de carro me pegar e transportar para Faxinal do Céu, onde ficava a Universidade do Professor, hoje extinta. O lugar era lindo, havia um teatro com 500 lugares aproximadamente e como o grupo era de aproximadamente mil professores, eu me apresentaria para uma turma no período da manhã e para outra no período da tarde. A palestra duraria duas horas e meia. Quando o responsável pela minha contratação me entregou o microfone para subir ao palco e iniciar a palestra, disse-me:
- Não pode falar em política,  em sexo, nem dizer palavrão.

Fiquei pasmo, mas não tinha tempo para questionar nada, subi os degraus em estado de choque, porque não tivera tempo para conversar com ele e aquelas eram suas primeiras palavras dirigidas a mim. Fiquei irritado, mas o prazer de falar a tanta gente e todos da minha classe, afastou aquele sentimento ruim e logo eu estava rindo e brincando com as pessoas, fazendo-as rir também. Quando cheguei no século XVII, pensei "vai ser agora, quero só ver como esse cara vai reagir". Passei rapidamente pela prosa de Vieira e fui logo para o satírico Gregório de Matos já com as melhores das intenções. O público já me dera provas de gostar de malícia e rira muito de minhas insinuações. Por isso escolhi esse poema que postei acima, até este trecho:

 Esse, senhora, a quem sigo 
de tão raras condições é . . . (Parei e falei para o público "senhores não posso continuar, porque agora vem palavrão" e olhei para o coordenador lá embaixo, rindo maliciosamente. Os meus ouvintes se puseram a gritar: "fala, fala!" com insistência. Um professor de meia idade levantou-se e ficou no corredor dando pulos e batendo palmas pedindo para eu continuar. Insisti já pronto para retomar o poema:
- Olha que eu falo!
Aí a gritaria cresceu e eu fiz sinal para que parassem que eu iria falar. Fez-se um silêncio que dava para ouvir a respiração ofegante de alguns deles e eu elevei o tom de voz dizendo:

"Esse, senhora, a quem sigo 
de tão raras condições é . . . o caralho de culhões,
das mulheres muito amigo, se pegais na mão, 
vos digo, que haveis de achá-lo sorumbático e mudo (balancei o braço para baixo, relaxado)
mas há de colocar-se a vosso serviço com tudo
(Levantei o braço, duro, para cima, como se desse uma banana)
Eles batiam palmas, gritavam, riam muito e alto. Precisei de alguns minutos para conseguir retomar a palestra.
Quando terminei, era hora do almoço, fomos todos para o restaurante e o coordenador fez questão de me acompanhar o tempo todo. Esperei o momento em que ele me daria a bronca previsível. Mas ele parecia hesitante e só depois do café, quando todos se afastaram e ficamos a sós, ele pareceu ganhar coragem e me disse inesperadamente:
- À tarde, faça igual.

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