domingo, 3 de abril de 2016

MIGUILIM e DITO, personagens de Guimarães Rosa

               Sempre que leio a novela “Campo Geral” de Guimarães Rosa fico várias vezes emocionado, mas o momento que sempre me faz atingir um estado muito intenso é quando Miguilim vai se aconselhar com o irmão Dito.
Miguilim era mais velho e sempre se dava mal nas coisas que fazia, ao passo que seu irmão mais novo, Dito, sempre se dava bem em tudo que fazia, sempre impressionava as pessoas. Miguilim, percebendo isso, consulta seu irmão sobre a possível causa, pergunta a ele por que seria que os animais o perseguiam e muitas outras reclamações. A principal delas foi quando mandou cortar uma árvore porque lhe disseram que se ela ultrapassasse a altura da casa, o pai morreria e ele mandou cortar porque queria salvar o pai. O pai ficou furioso e já ia castigá-lo sem nem perguntar a causa, mas quando Dito assumiu a responsabilidade, o pai indagou e quando o garoto explicou que era por causa da superstição, o pai se derrete todo e abraça o filho agradecido. Miguilim pergunta por que com ele as pessoas sempre o perseguem e maltratam? Então o sábio Dito me emociona demais com essa resposta que lhe dá:
“Os outros têm uma espécie de cachorro farejador, dentro de cada um, eles mesmo não sabem. Isso feito um cachorro, que eles têm dentro deles, é que fareja, todo o tempo, se a gente por dentro está mole, está sujo ou está ruim, ou errado . . . as pessoas mesmas não sabem, mas, então, elas ficam assim com uma precisão de judiar com a gente.”

Pense nisso, você tem encontrado algum cão farejador? Então olhe para dentro de si mesmo, mude o conceito que tem de si próprio. Transforme-se e os cães se afastarão.

terça-feira, 29 de março de 2016

QUASE MEMÓRIA é quase um romance

Estou lendo o livro QUASE MEMÓRIA de Carlos Heitor Cony e estou gostando muito, não só pelo estilo, que tem me agradado bastante, mas pelo sentimento paterno que perpassa cada capítulo. A amarração que faz dos fragmentos de lembranças através do misterioso pacote ficou muito atraente. Identifiquei-me muitas vezes com o pai dele, rindo-me de suas maluquices; assim como ele, criei galinhas, trabalhei com instalação de antenas e se não tentei vender rádios, compensei vendendo chupetas, bicos de mamadeira e mordedores infantis. 
Outro aspecto interessante é o levantamento de fatos, acontecimentos e vivências do Rio de Janeiro que não vão aparecer nos livros de História, mas bem que deviam fazer parte. Recomendo para os que gostam de ler.


quinta-feira, 24 de março de 2016

PARA DIZER "TE AMO"

Em frenesi sou bem-te-vi
atrás de ti. Wait for me.

Sei que pra mim, és colibri.
Se me quiseres, let it be.

Eu deixo tudo, fico até nu
só pra dizer: Y love You!



terça-feira, 22 de março de 2016

ABELHA RAINHA

Ela se despe para me vestir,
ela até chora para eu sorrir.
Ela é a abelha rainha
que faz de mim um rei
ou apenas um pé de capim.
Com ela vou mais além,
mas sem ela eu não sou ninguém.


quarta-feira, 16 de março de 2016

QUASE HAICAI


 
Na ara de Eros
Noite de lua cheia
Muito amor na veia.

domingo, 13 de março de 2016

MISTÉRIO

Fui, mas não fui atendido.
Procurei, mas não encontrei.
Recolhi meu fraco ser
à falta de prazer.
Na solidão do meu quarto chorei.

Sofrer sem entender
é uma forma de viver.
Viajar para um destino
que some no ar
pode ser um desatino
ou uma oportunidade
da pessoa se encontrar.   (2009)

sábado, 6 de fevereiro de 2016

CAMISETAS POÉTICAS

Já lancei a caixinha "POESIA MELHOR REMÉDIO" com poemas ilustrados, que podem ser compradas ainda na loja METAMORFOSE AMBULANTE do Shopping Salinas na Praia Seca e agora vou lançar CAMISETA POÉTICA, que ainda está em fase de estudos. Veja um rascunho imperfeito, mas que dá uma ideia do trabalho artesanal com a colaboração da artesã Janice Rugani: