quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

OS LUSÍADAS ATRACA NO TEATRO DE ARARUAMA

Alô araruamenses, a adaptação para teatro da obra camoniana Os Lusíadas com o título

POR MARES NUNCA DANTES NAVEGADOS


será apresentada em janeiro agora, dia 13,às 21 horas. A peça foi dirigida por Angelah Dantas e será interpretada por mim. Eu não quero ser cabotino, mas gente boa e de conhecimento como Jiddu Saldanha e Facury ambos de Cabo Frio, Camilo Mota do jornal Poiesis, Carlos Henrique Pimentel diretor da Fundação de Cultura de Rio das Ostras, Claudio Sendino do blog http://sendino-amigos.blogspot.com.br  foram pessoas que elogiaram a apresentação, e por serem conhecedores da arte, muito me honraram com seus comentários. Não desdenho os elogios de muitas outras pessoas, mas destaco apenas essas porque são mais públicas e tenho os nomes na memória, mas gostaria de citar a professora emocionada após a estreia em Rio das Ostras que se levantou e enquanto a plateia ainda aplaudia ela gritou com voz embargada pela emoção "Mas essa peça é uma aula de História" ao que Carlos Henrique Pimental complementou "... e de Teatro!" Não fiquei sabendo o nome dela, mas jamais a esquecerei. 


segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

VOCÊ FALA ASSIM COM SUA MÃE?

MODO DE FALAR

O marido se queixava, mas garantia que não era uma reclamação, mas apenas uma constatação. “Eu nem ligo, mas vejo quão diferente é o modo de agir de minha mulher. Veja só, ontem, pela manhã saí com ela para fazer compras e na hora de estacionar eu saí do carro e tentava orientar, mas simultaneamente o funcionário do estacionamento, prestativo, mas desajeitado também dava seus palpites e minha mulher ficou nervosa com aquilo. Eu fiquei com receio em um momento que ela iria recuar com as rodas dianteiras viradas completamente viradas que batesse numa moto que estava ao lado, e gritei ao mesmo tempo que o tal funcionário ‘Endireita a roda” ou algo parecido, nem lembro se falamos pneus ou rodas. Bem, ela ficou nervosa, reclamou e eu, como de hábito, saí e deixei-a livre para fazer o que quisesse.  Como eu precisava ir à farmácia que havia na esquina, dirigi-me para lá e  pensei, depois vou encontrá-la na quitanda. Assim fiz, depois de comprar o remédio fui para o hortifruti e ela ainda estava tensa, com voz dura e lágrimas nos olhos protestou que reclamara porque eu fui grosso com ela, que eu precisava controlar meu tom de voz. De nada adiantou eu dizer que eu não gritara do jeito que ela reclamava, mas que fora firme por uma questão de urgência, de emergência, mas qual o quê, ela continuou brava comigo, mas como sempre, não durou muito, logo ela recuperou a calma e voltou ao tom de voz calmo e tranquilo de sempre.
Estou contando isso, para você ver como é diferente o modo de ser de mãe e de esposa, bem, isso nela, porque em outras mulheres deve ser diferente, mas nela é assim. Como esposa, ela briga, ela se defende e briga por si, mas com filhos age de outra maneira. Ontem mesmo pude ver isso, no período da tarde. Não vi, mas ouvi bem. Estava num cômodo ao lado do quarto em que as duas entraram discutindo, peguei poucas palavras e não as guardei bem, mas o que mais me incomodava era o tom irritado e bravo com que a filha admoestava por estar andando de chinelo ou calçado dentro de casa e, creio que levando ou espalhando alguma sujeira. Precisava você ver com que doçura, com que suavidade ela procurava se justificar com a filha, desculpando-se, mas se controlando para não perder a calma. É assim mesmo, amor de mãe, amor de mãe é incondicional.
Agora veja só que coincidência mais incrível, leia este texto do papa Francisco que eu encontrei logo em seguida, até postei na minha página no Face:  ‘O diálogo derruba os muros das divisões e das incompreensões; cria pontes de comunicação e não permite que alguém se isole, fechando-se no seu pequeno mundo. Não vos esqueçais: dialogar significa ouvir o que me diz o outro e dizer com mansidão aquilo que penso. Se as coisas correrem assim, a família, o bairro, o lugar de trabalho serão melhores. Mas se eu não deixo que o outro diga tudo o que tem no coração e começo a gritar — hoje grita-se muito — esta relação não terá bom êxito; o relacionamento entre marido e esposa, entre pais e filhos não terá bom êxito. Ouvir, explicar, com mansidão, não agredir o outro, não gritar, mas ter um coração aberto.’”


domingo, 24 de dezembro de 2017

DINDINHA DINOCA, MINHA QUERIDA VÓ

PROFECIAS


Ontem, alguma coisa que aconteceu, um incidente qualquer, detonou duas lembranças dentro de mim. Lembranças muito antigas que estavam adormecidas. Engraçado, ainda agora estou me lembrando delas, mas do incidente que promoveu a retirada delas de uma gaveta que se encontra no fundo da memória, ah! Isso não consigo recordar, por mais esforços que faça. Bem, vou contar as recordações antigas e, quem sabe, acabo acordando o evento de ontem.
Quando ainda tinha cinco anos... assim contou minha mãe quando eu estava na adolescência e entrei em casa com minha primeira namorada. Disse que, certo dia, minha avó, Dindinha Dinoca, como a chamávamos, profetizou aos presentes na cozinha de sua casa, com um entusiasmo muito grande, olhando para mim:
- Esse meu netinho vai ser padre.
Minha mãe disse que eu não dei tempo a ninguém para se expressar a respeito desse augúrio que me fazia a vó beata, que se sentia frustrada de ainda não ter nenhum neto com inclinação para o sacerdócio. A minha resposta foi tão firme quanto rápida e criou um silêncio tumular.
- Eu não, eu vou casar!
Meu pai riu seu riso de boca fechada, porque tinha muito respeito à sogra, mas pareceu ficar feliz com minha resposta. Minha mãe ficou impassível, mas contou-me anos depois que também não gostou do prognóstico de Dindinha. Vovó ficou triste comigo, mas teve um consolo anos depois porque outro neto, Zito, dos Rezendes ingressou no seminário.
Creio que um ano e pouco se passou depois desse evento, e até hoje me lembro sem ter precisado que alguém me contasse, eu e minha vó estávamos no quintal daquela casa em que viveram os últimos anos em Santa Bárbara. Já era noite e o ar estava agradável e perfumado pelas diversas plantas do quintal amplo. Era noite de lua cheia e ela subia vaidosa e imponente, pouco além da linha do horizonte, exibindo sua elegância e encanto. Não se ouvia nem a respiração de quem estava perto. Eu quebrei aquele encanto com um presságio realista que se confirmaria anos depois da morte de meus avós:
- Dindinha, um dia o homem ainda vai pisar na lua.
- Não fala bobagem menino, se Deus pôs a lua tão alto é pra gente não pisar nela.
Não estou muito seguro, mas parece-me que levei um tapa na boca, nada forte, mas que me fez ficar calado o resto da noite. E dezenas de anos depois, casado e com filhos, vi na televisão de casa, com as crianças e a esposa, o primeiro homem pisar na lua; pensei com meus botões;
- Caramba! Eu tinha razão.
(Inédito, 24 de dezembro de 2017. Geraldo Chacon)


sábado, 16 de dezembro de 2017

VOCÊ ACREDITA EM TUDO QUE LÊ?

Há quem bota fé no que vê na TV e o que lê nos jornais, mas às  vezes é preciso ficar atento. Veja só o que afirmou Walter Duranty, correspondente do New York Times em maio de 1920:
"O governo bolchevique não dura mais de seis meses." 


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

QUISER É COM S OU COM Z?

Quis e quiser são flexões do verbo querer, que não apresenta "Z" no radical, então é com "S" que se deve escrever.
Agora, veja que fizer e fiz obrigatoriamente devem ser grafados com "Z" porque este já aparece no radical da palavra.

Se você quiser, tudo que eu fizer, farei sempre por você.

Eu fiz tudo que ela quis e faria muito mais só para vê-la feliz. 
*

terça-feira, 21 de novembro de 2017

ELEGIA

Quando minha mãe faleceu, minha irmã Alaíde questionou-me por ter feito poema para meu pai, com quem sempre vivia brigando, e nada fizera para minha mãe. Não soube responder, eu mesmo não entendia o porquê, nem mesmo havia pensado no assunto. Minha mãe sempre fora tudo para mim, sinto que tudo que consegui na vida foi por tê-la ouvido e também porque ela acreditava em mim e não gostaria de decepcioná-la.
A pergunta levou-me a pensar em fazer uma elegia, tipo de poema antigo, do tempo da Grécia clássica, marcado por tristeza profunda. Dias depois veio a inspiração:

SALA VAZIA


Minha sala era vazia,
excelente para ginástica e para a gente descansar.
Minha mãe não vinha em casa
porque não tinha, dizia,
um lugar para se sentar.
Eu devia, pelo menos, colocar nela um sofá.

Comprei sofá, poltrona,
tapete, vaso, mesa de centro
e até uma gravura que pendurei na parede.
Minha mãe veio uma vez,
elogiou muito, adorou tudo:
"Está muito bonito!"

Mas nunca mais voltou,
ficou doente e partiu.
Agora não sei o que fazer
com tanta coisa inútil.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O)s Lusíadas em Cabo Frio, visto por Jiddu Saldanha

      Quem viu, viu, quem não viu, perdeu. Um dos trabalhos mais surpreendentes dos últimos tempos, em Cabo Frio. O poeta, professor, escritor e ator Geraldo Chacon, abrilhantou nossa noite. Já tínhamos tido um gostinho quando ele apresentou uma versão resumida deste trabalho no FesTSolos IV. Um evento de solos teatrais que aconteceu nos dias 07, 08 e 09 de Julho. Foi uma apresentação que deixou um gostinho de quero mais e este “quero mais” aconteceu, justamente, este final de semana agora, dias 03 e 04 de Novembro no espaço cultural USIN4.
      Geraldo fez uma estilosa triangulação em cena. O espetáculo não tinha uma "gordurinha" sequer, ótima execução técnica, com boa iluminação e ambientação sonora de primeira. O texto de Camões, adaptado para ser ouvido, com uma maestria que poucas vezes vi. Um poema épico, adaptado para teatro é, sem dúvida, um grande desafio. Havia, também, no espetáculo, um humor fino e intelectual, é desses trabalhos que chama as pessoas de inteligente por tabela. O público sai se sentindo melhor e, claro, com orgulho da nossa pátria mãe portuguesa. Não é sempre que se tem um espetáculo consagrado à língua bem falada, por excelência, e tudo sem ser chato, professoral ou pedante.


      Angelah Dantas arrasou na direção. Deixou Geraldo solto em cena, mas com proposta de movimentação bem definida. As transições das personagens eram suaves e o ator mantinha uma palheta vocal que não passava cansaço ou ansiedade ao público. O trabalho terminou na hora certa e rendeu um gostoso bate-papo em que, Geraldo deixou fluir sua generosidade, distribuindo seus livros ao público que, depois, foi convidado pelos donos do espaço USIN4 a curtir uma rodada de conversa degustando as delícias da cantina “Catatempo". 

      Parabéns para toda a equipe "camoniana". Voltem sempre! Cabo Frio espera ainda ver mais deste tipo de linguagem. Quem sabe no "Poesia de Cena" de 2018? Vamos aguardar.